Veja o significado psicológico do alcoolismo e porque bebemos e como se curar emocionalmente; por Cristina Cairo Linguagem do Corpo


O alcoolismo não é tão difícil de curar. O difícil é fazer com que as pessoas entendam do que o alcoólatra precisa. Não se sabe quem é mais teimoso: quem bebe ou quem implora ao alcoólatra que pare de beber. A falta de “amadurecimento” em algumas áreas do cérebro de um adulto faz com que ele encare a vida de forma distorcida. As dificuldades, que para alguns são simples de resolver, para essas pessoas tornam-se complicadas, principalmente se elas tiveram uma educação que lhes exigia comportamento exemplar e pela qual era impossível expressar sua própria vontade. Muitos pais, e até mesmo familiares, ensinam aos meninos que ”homem não chora”, ignorando que estão criando bloqueios na mente dessas crianças.
Há pessoas que, quando bebem, dizem coisas sem nexo: são os bêbados briguentos, os sentimentais, etc. O que acontece com eles é que os sentimentos reprimidos no dia-a-dia ”explodem” quando a consciência deixa de censurá-los, porque o receptor cerebral ficou entorpecido pelo álcool. O bêbado sentimental é aquele que tem acumulado dentro de si motivos para chorar, mas que reprime essa vontade pela autocensura ”que considera vergonhoso ou feio chorar”. Deixando de se reprimir, extravasa seus sentimentos e... chora. O bêbado briguento é aquele que vive sempre com muita raiva mas não a expressa, pois acredita que um cavalheiro que se preza não fica zangado e nem grita à toa. Por isso, reprime o sentimento de raiva e finge serenidade mas, na realidade, está “fervendo” por dentro. Em certas ocasiões pensa em pegar objetos e atirá-los, porém, acha que tal procedimento é muito vergonhoso para um cidadão civilizado e contémse reprimindo essa vontade. Mas tais sentimentos ficam apenas confinados, não desaparecem.
Portanto, quando se ingere bebida alcoólica, ocorre a inibição da autocensura e o indivíduo passa a dizer coisas sem sentido, a jogar objetos, a implicar com as pessoas que o cercam por motivos fúteis e a resmungar bobagens. Tal comportamento não é o resultado da bebida em si, mas dos sentimentos nutridos e acumulados na mente da própria pessoa, os quais são liberados em conseqüência do entorpecimento do cérebro.
Obs.: Assim como o álcool, o fumo e outras drogas têm, também, a faculdade de anestesiar nosso receptor cerebral. Logo, qualquer sentimento de culpa ou medo ficam adormecidos pelo efeito dessas drogas. É certo que 95 por cento dos nossos atos são dirigidos pelo inconsciente e que apenas 5 por cento são regidos pela nossa consciência. Não devemos julgar um alcoólatra pelos atos dos seus 95 por cento. Nem ele mesmo tem consciência porque não consegue parar de beber. Sua única justificativa é dizer que gosta de beber, o que não é verdade, pois o paladar só é perceptível ao gosto até os cinco primeiros copos. Depois deles, as glândulas salivares ficarão congestionadas pela substância ácida processada pelo fígado para modificar as moléculas nocivas ao organismo, causando alteração no paladar. Veja que esse indivíduo possui apenas cinco por cento de compreensão para lutar contra o vício. Então, não perca tempo tentando convencer os outros noventa e cinco por cento do seu inconsciente dizendo-lhe palavras que não serão ouvidas. Saiba aproveitar o canal de acesso (os 5 por cento) a é a parte dominante (os 95 por cento), que o ouvirão. Portanto não tenha pressa em achar a solução. Em primeiro lugar, se você pretende ajudar esse indivíduo, deve se perguntar antes se você o ama realmente, apesar de ele estar escondido atrás da bebida. Mas, se não aguenta mais e quer desistir, então feche este livro e procure fazer uma terapia porque, acredito, você está no limite de suas energias e por isso não conseguirá ajudar mais ninguém. Nessa situação, você pode não ter onde se apoiar, ao passo que a pessoa dependente tem a bebida como suporte. Por mais que se tente fazer alguém largar o álcool ou o fumo, tais esforços serão em vão enquanto as atitudes mentais e o modo de vida da própria pessoa não forem corrigidos. O sentimento de culpa profundo esconde-se nos 95 por cento do seu subconsciente, e culpa é um sentimento gerado pelos nossos atos do dia-a-dia e pela educação na infância. Alguns pais, por desconhecerem outra forma de educar, insistem em gravar no subconsciente da criança ordens como: ”Não faça isso”. ”Não mexa aí”. ”Não pode fazer isso”. ”Você vai apanhar se chorar”. Etc. Quando adulta, essa criança vai passar a viver com uma sensação de ”peso” no peito, como se fosse uma cobrança constante de seus próprios atos. Inconscientemente essa pessoa crê que está fazendo tudo errado e que está sendo censurada pelas exigências gravadas em sua mente desde a infância. Conseqüentemente é levada a u*na forte depressão.
Entenda que para o inconsciente os fatores tempo/espaço são inexistentes. Para ele existem, apenas, ordens que devem ser cumpridas. É por isso que se deve trabalhar os cinco por cento da pessoa, com sinceridade, paciência, amor e esperança. Imprima-lhe, em seu subconsciente, através daquela porcentagem, um novo modelo de pensamento. Reeduque-a no sentido de se amar e sugestione-a fazendo com que acredite que seu mundo é livre de cobranças e tormentos. Quanto mais você falar positivamente, mais ela sentirá segurança e equilíbrio. Ao contrário, se você resmungar, criticar, cobrar, chorar e implorar, aumentará seu sentimento de culpa e ela recorrerá à bebida para fugir das angústias e complexos que ela mesma criou. Essas pessoas assemelham-se às ostras que, ao primeiro sinal de perigo, recolhem-se para dentro de si mesmas. Comece já a agir positivamente. Ela precisa do seu apoio. Passe a tratá-la normalmente e acredite em sua capacidade de recuperação. Reconheça, a partir de agora, que o álcool teve o mérito de ajudá-lo a descobrir o lado sensível e carente dessa pessoa que necessita ouvir palavras de elogio, declarações de sua amizade ou de seu amor, de forma alegre. Mostre-se grato por tudo que essa pessoa fez — e faz — de bom. Se você não vê coisas boas nela é porque você, também, não as tem. Lembre-se: os semelhantes se atraem, consciente ou inconscientemente!
Ajude-a a eliminar seus complexos de culpa e a acabar com a raiva acumulada em seu coração, por não conseguir agir como gostaria. Desate-lhe os nós da cabeça. Ame-a de verdade, pois ela quer ser como você: livre das angústias e do sentimento de solidão que a afligem. Dizer isto a um alcoólatra é perda de tempo porque ele normalmente prefere negar que guarda ressentimentos ou complexos de
culpa, por vergonha.
Deixe-o beber em casa, sem culpas e sem se preocupar, porque a bebida perderá um pouco o valor. Você sabe: tudo que é proibido é mais gostoso!
É muito importante sua atenção carinhosa. Desvie, sempre que puder, o assunto sobre bebida, falando somente sobre fatos agradáveis. Seja forte e vença seus medos ou traumas sobre esse assunto. Abstenha-se de comentários arrogantes ou pejorativos quando seu ente querido ou amigo chegar alcoolizado ou mesmo quando ele for pegar alguma bebida. Fale naturalmente e continue agindo como antes de ele beber.


O que vicia não é a bebida, mas o apego a ela que representa uma forma de fuga inconsciente. Defenda-o das pessoas maldosas ou mal informadas que o atacam. Ele precisa do seu apoio e de seu carinho e nunca de acusações, pois se ele bebe é porque seu subconsciente está repleto de repressões e culpas criadas desde a infância. Mostre-lhe o quanto ele é importante para você, servindo-o e compreendendo-o. O amor verdadeiro penetra pelos poros e cura! com o tempo esse indivíduo passará a sentir uma desagradável e incômoda sensação quando estiver bebendo e, às vezes, até esquecerá de tomar “aqueles” goles.
Todos perceberão sua mudança de comportamento e o seu despertar para a verdadeira alegria de viver.
O amor e as palavras de elogio que receber alterarão seu ”programa” mental negativo, tornando-se uma pessoa segura, livre e consciente da vontade de vencer. Os que convivem com pessoas alcoólatras devem, antes de mais nada, curar-se de seus medos, orgulho ferido e até da sua posição de vítima porque senão o viciado continuará bebendo enquanto ouvir cobranças e lamúrias. Salve essa pessoa para que ela possa descobrir toda a capacidade que existe nela mesma. Na Bíblia está escrito: ”A Verdade vos libertará”.

Retirado Do Livro; Linguagem do Corpo Vol 1 de Cristina Cairo

Comentários

  1. Cristina Cairo
    Sou grata pelo belíssimo texto,mas deveria ser mais divulgado em revistas,jornais,palestras,vídeos para orientar as FAMÍLIAS,SOCIEDADE que por não terem este conhecimento não estão preparados para darem este apoio.
    Com carinho,
    Vera

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  2. Todas as pessoas que convivem(e amam) com um alcoólatra deveriam ler isso, se informar mais sobre o assunto; pois lamentavelmente a maioria comete os mesmos erros de acusação, desprezo e críticas, que não ajudam em nada, pelo contrário. Alcoolismo é doença, e quem ama uma pessoa com essa doença tem que certamente aprimorar seus conhecimentos para ajudá lo verdadeiramente.
    Fiquei muito feliz em ler esse texto pois, uma vez alcoólatra em recuperação, passei por momentos horríveis onde nenhum dos meu familiares e amigos agiram de forma correta; então alegro me em ver que essas informações podem se expandir e ajudar aos que convivem com esse problema. Parabéns

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  3. Eu nesse momento estou vivendo nisso.. O meu namorado é alcoólotra e eu achava que estaria ajudando ele se estivesse criticando-o toda vez que ele bebe.. Ele tem 48 anos, e deve ter tido uma infância bem reprimida, naquela época. Eu tenho uma imensa vontade que ele pare de beber, e a família dele também. E agora com esse texto que li, me ajudou bastante!! Vou repassar também para outras pessoas que sofrem com isso em suas famílias. Muito obrigada pela publicação.

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  4. Alcoólicos Anônimos e Narcóticos Anônimos, São dois programas extremamente eficazes para dependentes. Meu noivo eu e seus familiares lutamos anos contra sua dependência, e em N.A ele encontrou pessoas que tinham angústias e comportamentos semelhantes aos dele o que o ajudou a entender que ele é um adicto e entrar em recuperação. Só por hoje funciona.

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  5. Clarice. Gratidão Cristina Cairo por seus ensinamentos.

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